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TCU identifica desafios na execução orçamentária de emendas parlamentares

TCU identifica desafios na execução orçamentária de emendas parlamentares

Levantamento apresenta dados sobre participação de emendas parlamentares no orçamento do Ministério das Cidades e seus reflexos na execução de políticas públicas

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O Tribunal de Contas da União (TCU) realizou, sob a relatoria do ministro Walton Alencar Rodrigues, levantamento de auditoria para compreender o impacto das emendas parlamentares no orçamento nas políticas e na execução de obras do Ministério das Cidades.

As emendas parlamentares estão previstas na Constituição e se dividem em quatro modalidades principais: individuais (RP6), de bancada estadual (RP7), de comissão (RP8) e de relator (RP9). Em 2022, o Supremo Tribunal Federal, na ADPF 854, julgou inconstitucional o "orçamento secreto", como ficaram conhecidas as emendas de relator (RP9).

"A evolução histórica revela crescimento exponencial desses recursos. Entre 2014 e 2019, a média anual de recursos via emendas foi de R$ 12 bilhões. Com a criação das emendas RP9 em 2020, esse patamar elevou-se para R$ 35,53 bilhões anuais entre 2020 e 2023, um crescimento superior a 195%", explicou o ministro Walton Alencar Rodrigues.

O que o TCU encontrou

O Tribunal verificou considerável representatividade das emendas no orçamento do Ministério das Cidades. Cerca de 40% da dotação destinada a obras no período 2021-2024 é decorrente de emendas parlamentares (RP6, RP7, RP8 e RP9).

  O TCU apontou haver volatilidade orçamentária. Ocorrem significativas alterações durante os processos de aprovação e execução da Lei Orçamentária Anual, o que influencia a previsibilidade do planejamento ministerial e exige constantes reavaliações de prioridades e redistribuições de recursos.

Outra situação apontada é o descompasso entre o empenho e o pagamento. Mais de 90% dos valores empenhados não foram pagos no mesmo exercício, gerando significativa inscrição em restos a pagar e possível conflito com o princípio orçamentário da anualidade.

A Corte de Contas percebeu problemas nos sistemas de informação e transparência, além de ineficiência alocativa de recursos, com a aprovação de mais de uma proposta em prol do mesmo objeto.

"É o que se verificou na aprovação de duas propostas de emenda parlamentar da Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo, no mesmo exercício, para o mesmo objeto, o que resultaria em desperdício de recursos superior a R$ 2 milhões, caso uma das propostas não tivesse sido cancelada posteriormente", exemplificou o ministro-relator do TCU.

Desdobramentos

Diante do diagnóstico, o levantamento aponta para necessidade de o TCU, em seus futuros planos de fiscalização, autuar processos específicos para aprofundar a apuração sobre diversos temas.

Uma dessas vertentes é avaliar o impacto no planejamento do Ministério das Cidades a partir da imprevisibilidade das emendas parlamentares. O TCU também fará análise se a alocação tardia de recursos comprometer cronogramas e projetos prioritários.

Fonte: Tribunal de Contas da União

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