Área Intranet
Imagem de fundo de notícias

Especialistas expõem no STF aspectos técnicos sobre rastreamento de emendas parlamentares 

Especialistas expõem no STF aspectos técnicos sobre rastreamento de emendas parlamentares 

Em audiência de monitoramento da decisão na ADPF 854, ministro Flávio Dino informou que pretende liberar em breve para julgamento as ADIs sobre emendas impositivas

Ícone Compartilhar no Whatsapp Ícone Compartilhar no Twitter Ícone Compartilhar por e-mail

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), conduziu, na manhã desta quarta-feira (13), audiência de contextualização para monitorar as medidas adotadas pelo poder público para fiscalizar emendas parlamentares. A reunião faz parte das medidas que vêm sendo adotadas pelo ministro para monitorar o cumprimento da decisão do Plenário do STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854, em dezembro de 2022, que determinou a extinção do chamado “orçamento secreto” e a adoção medidas de transparência e rastreabilidade para as emendas parlamentares.   A convite do relator, participaram da audiência pesquisadores do Movimento Orçamento Bem Gasto e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a fim de ampliar o debate com base em estudos científicos sobre o tema e subsidiar futuras deliberações da Corte. 

Emendas impositivas

Flávio Dino também é relator das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7697, 7695 e 7688, que discutem a constitucionalidade das emendas impositivas ao Orçamento Geral da União e os mecanismos de fiscalização desses recursos. O ministro informou que pretende levar as ações a julgamento em breve, para que deputados e senadores eleitos este ano iniciem a legislatura com uma definição sobre o modelo constitucional das emendas impositivas. Ainda serão colhidas manifestações finais das partes e dos amici curiae (amigos da Corte), além dos pareceres da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).   

Avanços

Na audiência, Dino apontou avanços obtidos em relação ao cumprimento da decisão do STF na ADPF 854. Entre eles está a edição da Lei Complementar 210/2024, que impõe regras para proposição e execução de emendas parlamentares, o uso de portais de transparência e a ampliação da rastreabilidade de ponta a ponta.   O ministro mencionou ainda auditorias de órgãos de controle, especialmente na área da saúde, e providências para fortalecer a fiscalização da aplicação dos recursos públicos provenientes das emendas.   

Dificuldades técnicas  

Representantes do Movimento Orçamento Bem Gasto apresentaram estudos indicando dificuldades técnicas para monitorar a destinação das emendas parlamentares, em razão de lacunas de informação e da complexidade nos sistemas dos portais de transparência.  Segundo os especialistas em transparência Marcelo Issa e Marina Iemini Atoji, apesar dos avanços obtidos após as decisões do STF, ainda há obstáculos na fiscalização. É o caso das chamadas “emendas bolsão”, em que uma única emenda é fragmentada em diversas despesas diferentes, empenhadas em municípios diferentes. Também foram apontadas dificuldades no acompanhamento das transferências fundo a fundo, que não passam pelo sistema Transferegov.   De acordo com o levantamento apresentado, nenhuma das emendas analisadas (individuais ou coletivas) atendeu integralmente aos critérios de transparência considerados adequados, e 92% apresentaram baixo nível de rastreabilidade.   Flávio Dino firmou que a questão das “emendas bolsão” deverá ser enfrentada no âmbito da ADPF 854, com novas medidas para ampliar a transparência dos repasses.  

Comprometimento do Orçamento  

As pesquisadoras Ana Cleusa Serra Mesquita e Fabiola Sulpino Vieira e os pesquisadores Mário Magalhães e Sergio Luiz Doscher da Fonseca, do Ipea, apresentaram estudos sobre o crescimento das emendas parlamentares entre 2014 e 2025 e seus impactos nas políticas públicas em saúde, assistência social, educação e trabalho. Eles apontaram desigualdades na distribuição das emendas, com a área de saúde consumindo mais da metade (55%) do Orçamento Geral da União e o aumento de 379% no volume de recursos distribuídos por meio de emendas no período.   O estudo também revelou mudança no perfil das despesas: em 2014, os recursos eram majoritariamente destinados a investimentos; em 2025, passaram a se concentrar em despesas de custeio. Dino lembrou decisão provisória que restringiu o uso de emendas para pagamento de pessoal e observou que esse tipo de gasto representa “o ápice da distorção das emendas, pois nada é mais permanente do que gasto com pessoal”.   

Outros participantes  

Também participaram da audiência representantes da AGU, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados, do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) – autor da ADPF 854, da PGR e da Controladoria-Geral da União (CGU).

Fonte: Supremo Tribunal Federal

Você também pode gostar de ler

Obrigações fiscais

Conecte-se com a MetaPública

Escaneie o QR Code abaixo e entre na nossa Comunidade

QR Code Comunidade MetaPública