A aprovação pelo Congresso Nacional da Medida Provisória (MP) 1.334/2026, que altera o critério de correção do piso salarial do magistério público da educação básica, agrava a situação orçamentária já fragilizada dos Municípios. O impacto previsto pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) é de R$ 8 bilhões só em 2026. A medida faz parte de um conjunto de pautas-bomba que colocam em risco a sustentabilidade orçamentária dos Entes locais.
Ao todo, 16 propostas legislativas com tramitação adiantada no Congresso Nacional representam R$ 295 bilhões para os cofres municipais se forem aprovadas, com efeitos imediatos para a prestação de serviços à população.O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, defende o respeito ao pacto federativo e à autonomia municipal, propondo que aumentos reais sejam pactuados localmente. “O reajuste e a valorização dos profissionais de magistério é uma demanda legítima, mas que precisa ser pactuada no âmbito local, por quem paga a conta, e não imposto pela União", afirma.
A CNM apresentou cinco emendas à MP e enviou parecer técnico a parlamentares para alterações no texto, mas as sugestões não foram acatadas no texto final.
Impactos
No financiamento da educação, o cenário tem sido de pressão sobre as contas municipais nos últimos anos. O reajuste do piso do magistério chegou a 78% nos últimos cinco anos, com impacto de R$ 85 bilhões no período.
O novo modelo garante correção acima da inflação sem garantia de recursos adicionais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) ou compensação da União. Além do impacto em 2026, a MP trará consequências para os próximos anos.
De acordo com o texto aprovado, o reajuste anual será calculado a partir da soma do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e 50% da média de crescimento real das receitas do Fundeb nos cinco anos anteriores. Em 2026, a nova fórmula garante uma recomposição de 5,4%, acima dos 0,37% da fórmula anterior. O texto aprovado reajusta o piso salarial dos professores da educação básica para R$ 5.130,63 em 2026, com ganho real de 1,5 ponto percentual acima da inflação. Como o texto sofreu alterações durante a tramitação, a MP 1.334/2026 foi convertida no PLV 4/2026 e vai à sanção presidencial, mas o reajuste já está em vigor desde 22 de janeiro, quando a MP foi editada
.Fonte: Confederação Nacional de Municípios
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